Não hesite, apite! Vamos acabar com a violência contra a mulher

A Lei Maria da Penha completa 11 anos neste mês de agosto. Se é verdade que temos muito a comemorar, pois esta legislação permite atenuar a trágica situação das mulheres vítimas da violência no País, ainda resta longo caminho a ser percorrido. Afinal, não se acaba com uma prática há muito enraizada na sociedade da noite para o dia. Por isso, precisamos aumentar o combate à agressão. Em Suzano-SP e em outros municípios do Alto Tietê, estamos propondo uma ação com o objetivo de acelerar o fim da violência contra o público feminino: a campanha Não hesite, apite!, é um exemplo. Com um apito, a mulher alerta sobre a possibilidade de agressão.

Essa iniciativa será simultaneamente de conscientização e de protesto, ao passo em que combate, também, o assédio sexual. A ideia é distribuir apitos às munícipes em locais de grande movimentação, além de orientá-las sobre o feminicídio. Há quem diga, ainda, que isso não é necessário. Descordo totalmente, até mesmo por ter como base números nada agradáveis de nossa região sobre o assunto.

No primeiro semestre de 2017, vários foram os casos de violência contra a mulher no Alto Tietê. Entre as ocorrências está a de uma jovem, de 21 anos, morta a facadas pelo ex-marido, enquanto outra mulher foi eliminada pelo namorado em Santa Isabel-SP. Já uma professora de Mogi das Cruzes-SP foi assassinada pelo ex-marido. Crimes passionais? Não, o nome disso é feminicídio – assassinato motivado pelo sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres.

O Mapa da Violência 2015, produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), que tem sede no Chile, e em convênio com a ONU Mulheres, revela que, apenas em 2013 o Brasil contabilizou 4.762 mulheres assassinadas. Entre 1980 e 2013, foram 106 mil mortes de brasileiras.

Em Suzano, posso considerar que estamos num estágio avançado no combate a este tipo de violência. A cidade, inclusive, é dotada de um dos mais completos aparatos públicos do País para este fim, que abarca a Delegacia da Mulher, o Anexo de Violência Doméstica contra a Mulher, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, a Comissão da Mulher Advogada, o Centro Especializado de Assistência Social, a Casa de Acolhimento e a Patrulha Maria da Penha – tudo coordenado pelo Sistema de Garantia de Direitos à Mulher de Suzano.

Em paralelo, temos ainda a obrigação de atuarmos na educação de nossas crianças, para que os meninos aprendam a respeitar as mulheres, e que as meninas aprendam que são merecedoras de todo o respeito, sendo que ninguém pode agir de forma violenta contra elas. E que, caso a violência aconteça, elas saibam que há um amplo aparato social de proteção ao público feminino em Suzano. É preciso que a agressão seja estancada ao primeiro sinal. Não há tolerância para tal.

ARTICULISTAS

 

After you have typed in some text, hit ENTER to start searching...